quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Justificando o irracional

C diz:
a dificuldade de uma tarefa é inversamente proporcional à vontade de realizá-la. mesmo que seja uma tarefa que beire o impossível (:
C diz:
gostei disso.. hehehehehe
T diz:
e se eu quiser muito voar até a lua q nem o superhomem
T diz:
será q da?!!
C diz:
pode ser que você não consiga em tempo hábil (leia-se vida), mas a busca por algo que é um objetivo máximo, em si, já justifica toda ação
[obs.: partindo do presuposto que, na situação evocada, voar até a lua seja um objetivo máximo.]
T diz:
sem graça
T diz:
ahahha
C diz:
tendo em mente q a ação só precisa ser justificada pra ti mesmo... é justamente o oposto a não ter graça (:

Em resumo, a vontade supera a lógica e a racionalidade, ainda que a conclusão final não corresponda às expectativas. No final das contas, a busca por aquilo que se deseja muito, quando feita de coração, é por si só positiva.
Ninguém disse que o caminho era fácil ou de poucos percalços, mas entre um tropeço e outro, em meio a todas as dores, é neste caminho que se encontram as maiores alegrias. É nesse caminho que se vive a vida.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Equívoco e anfibologia

Equívoco é o uso de um termo, em um silogismo, dando um significado diferente a cada vez que o termo aparece. O uso da ambigüidade de uma palavra em uma explicação também é uma falácia de anfibologia.
Todo equívoco é uma anfibologia, mas nem toda anfibologia é um equívoco. Um exemplo de uma anfibologia pura é a frase: "Veio o Maomé a montanha." Neste caso há um erro gramatical, que torna a frase ambígua. Teria o Maomé ido à montanha, ou ao Maomé a montanha teria ido? Ainda no mesmo exemplo é interessante notar que na língua falada, a inversão do gênero impossibilita a ambigüidade.
Nem toda anfibologia depende de um erro gramatical: "Certa vez atirei em um elefante vestindo meu pijama." Nesta frase, de Groucho Marx, não fica claro quem estava vestindo o pijama, se era ele ou o elefante. Contudo, a tentativa de uma explicação na qual o elefante estaria vestindo o pijama certamente cairia em redução ao absurdo.
As incoerências nos exemplos acima são bastante evidentes, mas são exemplos úteis na demonstração de como a interpretação de uma ambigüidade pode levar à conclusões errôneas.
Escolhendo a possibilidade de que o elefante estivesse vestindo o pijama, poderíamos presumir que:
1. Mesmo o pijama do homem mais obeso do planeta deve servir apenas em um elefante muito jovem;
2. Marx deve ser absurdamente obeso para que seu pijama sirva em um elefante muito jovem;
3. O pijama deve ser singularmente resistente para ser capaz de permanecer cobrindo o corpo do elefante.
A cena, muito pouco provável, que se forma é a de um homem extremamente obeso atirando em um elefante muito jovem vestido com um pijama singularmente resistente (nylon rip-stop, talvez).
Todas estas inferências derivam da interpretação de uma frase ambígua.
É possível que o ouvinte mais atento decida formar as duas cenas possíveis dada a permissividade da frase. Neste caso, as seguintes conclusões emergiriam:
1. Marx vestia o pijama;
2. Marx alvejou um elefante.
Resultando na cena mais verossímil de um homem atirando em um elefante, independente de maiores explicações para que o ato fosse possível no mundo natural que conhecemos.
Tendo ambas as possibilidades consideradas, por meio da lei da parcimônia na sua forma mais clara, a que deu origem ao conceito da Lâmina de Occam, parafraseada como "se todas as demais coisas forem equivalentes, a solução mais simples é a melhor", seria fácil optar pela segunda cena descrita, que necessita de uma quantidade menor de elementos para se tornar viável.
Além da defecção da formulação inicial, a parcimônia seria a outra alternativa aceitável para lidar com frases ambíguas que podem surgir acidentalmente em uma discussão oral.
Contudo, não é raro que o ouvinte despreze a formulação mental das diversas possibilidades que surgem da ambigüidade de frases faladas, muitas vezes optando por um atalho de interpretação baseado naquilo que ele julga saber do interlocutor. E é assim que ocorrem muitos dos desentendimentos, nas mais diversas formas de relacionamento.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Ninguém (tradução)

Nobody

When life seems full of clouds and rain,
And I am filled with naught but pain,
Who soothes my thumping, bumping brain?
[pause] Nobody.
When winter comes with snow and sleet,
And me with hunger and cold feet,
Who says, "Here's two bits, go and eat"?
[pause] Nobody.
I ain't never done nothin' to Nobody.
I ain't never got nothin' from Nobody, no time.
And, until I get somethin' from somebody sometime,
I don't intend to do nothin' for Nobody, no time.
Bert Williams, Alex Rogers. 1905


Ninguém

Quando a vida parece repleta de nuvens e chuva,
Além da dor nada me preenche,
Quem irá confortar meu cérebro revolto, turbulento?
Ninguém.

Quando o inverno chegar com a neve e a geada,
E eu estiver faminto e com os pés gelados,
Quem irá dizer, "Tome aqui, vá e coma"?
Ninguém.

Eu nunca fiz nada à Ninguém.
Eu nunca tomei nada de Ninguém, jamais.
E, até o dia que eu conseguir algo de alguém,
Não pretendo fazer nada por Ninguém, jamais.

Tradução minha.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Um e "o" mandamento - filosofia

"Ama ao próximo como a ti mesmo."
"Ama ao próximo como eu te amei."


Bertrand Russell acreditava que Jesus Cristo foi superado, em termos filosóficos, por filósofos como Platão, Aristóteles e o moderno Nietzsche. Pessoalmente, duvido que qualquer um deles tenha sido capaz de propor algo tão radical e ao mesmo tempo tão impactante quanto o amor ao próximo que Jesus propôs. A mensagem de Jesus está a aí a uns 2.000 anos, e embora algumas pessoas a tenha vivido em maior ou menor extensão, essa mensagem, ela nunca foi adotada pela humanidade.
Se fosse adotada, essa mensagem, essa filosofia, que se resume em 7 palavras e que é bastante clara, resolveria a grande maioria dos problemas sociais que enfrentamos atualmente. Mudaria completamente a perspectiva humana.
"Se você não é capaz de explicar um conceito para uma criança, é porque você não entendeu o conceito." Jesus entendia muito bem o conceito que propôs: qualquer um, mesmo uma criança, ou o mais simples dos adultos, é capaz de entender o que Ele quer dizer. Falta coragem, enquanto humanidade, de viver, ou experimentar, essa opção de amor.

Feliz natal.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Números apenas na sua mente

"Um número é uma idéia abstrata utilizada para contar e para medir. Os símbolos usados para representar os números são chamados de numerais, mas na linguagem coloquial a palavra número é utilizada tanto para a idéia quanto para o símbolo."

As pessoas costumam dar muito crédito às informações que são acompanhadas por números. A grande verdade é que números são, em maior ou menor grau dependendo da idéia que querem expressar, imprecisos e existem apenas enquanto idéia. O numeral "um" sozinho, sem nada relacionado que o preceda ou siga, e sem um contexto próprio, não quer dizer nada, apenas o símbolo que o representa (1).

Imaginem uma representação numérica de duas xícaras de arroz. Ambas as xícaras tiveram seus grãos contados, para que contivessem exatamente o mesma quantidade de grãos de arroz. Ficou estabelecido que em cada xícara haviam 445 grãos de arroz. Agora eu pergunto: existem dois grãos de arroz exatamente iguais (em forma, tamanho, massa, etc)?
Então como dois grãos de arroz, diferentes entre si, tem um valor equivalente anexado em uma quantificação? Enquanto o grão "dois" (2) pressupõe a existência do grão "um" (1); em relação ao grão "um", tendo em conta sua massa, seria o grão dois, na verdade, o grão "dois e meio", ou "um e três quartos", ou qualquer outro valor?
Dependendo do propósito da quantificação, dariam preferência a medida da massa dos grãos, ao invés de sua contagem unitária. Mas não seria prático, na vida real, realizar ambas medidas; até para não ter que lidar com um dilema quantitativo.
O que é importante, é ter em mente as limitações das quantificações numéricas, especialmente quando aplicadas de forma descritiva aos seres humanos. Tais imprecisões podem ser, e efetivamente são, utilizadas de má fé para manipular opiniões.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O Besouro de Wittgenstein

Imagine que você possui uma caixa de fósforos, e que o seu amigo possui uma caixa igual a sua. Dentro destas caixas existe algo a que ambos pretendem se referir com a palavra besouro. Agora imagine que você não possa olhar dentro da caixa do seu amigo; e que ele não possa olhar dentro da sua caixa. Vocês só podem afirmar conhecer o que é um besouro olhando dentro de suas próprias caixas.
Wittgenstein sugere que, nesta situação, a palavra besouro não pode ser o nome de alguma coisa específica, tendo em conta a possibilidade de que cada pessoa possa er algo completamente diferente dentro de sua caixa (ou mesmo nada).
O que seria um besouro nesta linguagem manifestada por você e pelo seu amigo?
Extrapolando um pouco o proposto por Wittgenstein, deixando de lado a utilização de suas formulações, peço para que você imagine um bezouro agora, neste momento. O que você imaginou? Seria o mesmo que eu imaginei? Seria o mesmo que o amigo que você imaginou, enquanto realizava o exercício acima, imaginaria?
Talvez se estivéssemos frente a frente poderíamos vocalizar descrições de nossos besouros subjetivos e, com certeza, elas teriam diferenças marcantes. Ainda que tivéssemos acesso a essas descrições, que nada mais são do que uma desconstrução da figura atual formada em nossa mente com referência à bezouros, as peças que compõem essas figuras seriam reconstruídas com a referência única que temos delas em nossas mentes, inevitávelmente resultando em besouros mais semelhantes àqueles inicialmente imaginados, mas ainda assim diferentes.

"Aquilo que eu falo não é a mesma coisa que você entende, mas meramente o suficiente para que minhas palavras possam fazer algum sentindo."

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pequena lista de Falácias (atualizada)

Argumentum ad antiquitatem

Consiste em afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou "sempre foi assim."

Ad hoc

Ocorre por causa da diferença entre um argumento e uma explicação. Se "B" é utilizado como evidência para confirmar "A", a senteça "A por causa de B" é um argumento. Se estamos tentando tornar "B" verdadeiro, então a sentença "A por causa de B" é uma explicação. A explicação se torna falaciosa quando não se aplica a outras situações.

Argumentum ad hominem

Em vez de provar a falsidade de um enunciado, o argumentador ataca a pessoa que fez o enunciado.

Argumentum ad hominem tu quoque

O enunciado é refutado porque a pessoa não agiu de acordo com o argumento.

Argumentum ad ignorantiam

Ocorre quando se afirma que algo é verdadeiro simplesmente porque não foi provado que é falso.

Argumento da incredulidade pessoal

Ocorre quando se afirma que algo é falso só porque, pessoalmente, a pessoa se vê incapaz de acreditar na sua veracidade.

Non sequitur

A conclusão não segue as premissas, sem fundamentação.

Argumentum ad Baculum

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor uma conclusão.

Argumentum ad Populum / Argumentum ad Numerum

É a tentativa de ganhar apelando a uma grande quantidade de pessoas.

Argumentum ad Verecundiam

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade para comprovar uma premissa.

Dicto Simpliciter

Uma regra geral é aplicada em um caso específico.

Generalização Apressada

Uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Falácia da Composição

A propriedade das partes é aplicada ao todo. Bastante comum em anúncios de vendas de computadores.

Falácia da Divisão

A propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Falácia do homem de palha

Consiste em defender um ponto de vista fraco ou reprovável.

Cum hoc ergo propter hoc

Afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram simultaneamente, eles estão relacionados.

Post hoc ergo propter hoc

Cria relação entre eventos por terem ocorrido em um curto espaço de tempo.

Circulus in Demonstrando

Ocorre quando alguém assume como premissa a conclusão a que se quer chegar.

Questão complexa / Falácia da interrogação / Falácia da presuposiçao

A pergunta já trás uma afirmação implícita.

Ignoratio Elenchi

Conclusão sofismática, irrelevante. Uma conclusão que não tem relação com os argumentos utilizados.

Anfibiologia

Premissas ambíguas devido à má elaboração gramatical.

Bifurcação (falácia da dicotomia)

Ocorre com a apresentação de apenas duas hipóteses para uma situação.

Argumentum ad Crumenam

Utiliza o dinheiro como premissa.

Argumentum ad Lazarum

Oposto ao "ad Crumenam".

Argumentum ad Nauseam

É a repetição constante de uma afirmação e a crença de que ela seja verdade.

Plurium Interrogationum

Quando se exige uma resposta simples para uma questão complexa.

Red Herring

Quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção ou desvirtuar a conclusão.

Tu Quoque

Falácia do "você também".

Apelo à Natureza

Utilizar-se da natureza para justificar condutas ou eventos humanos. Ou utilizar-se da qualidade subjetiva de natural, ou normal, ou anormal, como justificativa.

Non causa pro causa

Quando se justifica algo com alguma coisa não relacionada.

Inversão do ônus da prova

Fazer uma afirmação e desafiar a outra parte a provar o contrário.

Argumento escorregadio

Se um evento ocorrer, outros eventos ruins irão se seguir; sem prova de correlação.

Petitio Principii

Ocorre quando as premissas são tão questionáveis quanto as conclusões a que se quer chegar.

Falácia da Falácia

Consiste em tomar uma afirmação como falsa por ser falaciosa.... Uma afirmação falaciosa não é necessariamente uma mentira, mas é uma afirmação cuja estrutura não dá suporte àquilo que é dito.

Paradoxo do Barbeiro

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Existe uma cidade onde há apenas um barbeiro. Nesta cidade todos os homens são obrigados a se manter barbeados; alguns fazem a própria barba, outros vão ao barbeiro. O barbeiro deve obedecer a seguinte regra: ele irá barbear todos e tão somente aqueles que não fizerem a própria barba. Quem barbeia o barbeiro?

O Universo te ama. (:

Pode o conjunto de todos aqueles conjuntos que não contém a si mesmos conter a si mesmo?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Quine e Grielling-Nelson

"Torna-se heterológico quando precedido pela própria citação" torna-se heterológico quando precedido pela própria citação. Uma reflexão sobre os paradoxos de Quine e de Grelling-Nelson. Faríamos sentido tendo nossos significados citados por outrem? Daí a importância de se dar a conhecer e de conhecer antes de chegar a conclusões.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Paradoxos lingüísticos

Uma palavra de introdução

Muitas pessoas me perguntam o que me leva a ter tanto interesse nos paradoxos, em todo tipo de paradoxo. Bom, eu sou um estudante de psicologia, e acredito que muitas vezes as pessoas estão vivendo mal suas vidas por terem convencido a si mesmas que uma argumentação inválida é verdadeira. Pode ser alguém que nunca admite estar errado, pois pensa que estar errado é uma demonstração de fraqueza, ou alguém que acredita que não pode sair de uma determinada situação, embora não exista nenhum impedimento real para que a pessoa saia de tal situação, só para citar dois exemplos.
Se eu não for capaz de identificar essas contradições, eu não serei capaz de fazer nada pela pessoa. Mas muito mais do que simplesmente achar o problema, é interessante conseguir compreender o que levou a pessoa a ficar presa naquele problema. E é no discurso da pessoa que muitas vezes irão aparecer as ferramentas que construiram tal prisão.
Os paradoxos ilustram essas ferramentas, de forma que estudando os paradoxos, somos capazes de identificar neles argumentos que já ouvimos em diálogos do nosso dia a dia. Compreendendo o funcionamento de um paradoxo de trás para frente, somos capazes de fazer uma engenharia reversa na argumentação daquele que nos dirige a palavra e, por meio da palavra, levar esta pessoa a ela, também, identificar as falhas no seu argumento. Seus paradoxos pessoais.

Paradoxo do mentiroso e suas variações

"Esta afirmação é falsa."
"A próxima sentença é falsa. A sentença anterior é verdadeira."
"Os cretenses estão sempre mentindo." Epimenides, filósofo cretense.
"Um homem diz estar mentindo. O que ele diz é verdadeiro ou falso?"
"Eu sempre minto."
"Você está mentindo quando responde a esta questão? - Sim."
"Existem três errus nesta sentensa."
- Extrapolação do paradoxo, como no livro The Mind's I de Hofstadter e Dennet.
Paradoxo de Quine (adaptado)
"'Torna-se falso quando precedito por sua citação' torna-se falso quando precedido por sua citação."
Variante: "(Não) leia o que está entre parênteses."
Paradoxo de Grelling e Nelson
"A palavra longo é longa?"
"Seria heterológica a palavra heterológica?" - Um adjetivo é autológico, ou homológico, se - e apenas se - ele descrever a si mesmo. Por exemplo, a palavra curta é autológica; e um adjetivo é heterológico se - e apenas se - ele não descrever a si mesmo. As palavras longa e monossilábica são exemplos disso.
Paradoxo de Negação
"Seria não a resposta para esta pergunta?"
Paradoxo de Curry
"Se esta sentença for verdadeira, então o Papai Noel existe."
Paradoxo de Berry (adaptado)
"O menor integral positivo indefinível em menos que onze palavras."
Paradoxo da Madre Teresa (adaptado)
"Ame até doer, então não haverá mais dor, apenas mais amor."
Paradoxo do Corvo

"Observar maçãs verdes aumenta a probabilidade de todos os corvos serem pretos."
Explicação de Hempel:
(1) Todos os corvos são pretos.
Em termos estritamente lógicos, por meio da Lei de Implicação, isto equivale a dizer que:
(2) Tudo aquilo que não é preto, não é um corvo.
Deve ficar claro que, em todas as circunstâncias em que (2) é verdadeiro, (1) também o é; assim sendo, em todas as circunstâncias que (2) for falso, (1) também será falso. Assim estabelecemos a equivalência lógica.
Dada a afirmação de que todos os corvos são pretos, nós poderemos considerar a forma da afirmação que se refere a uma instância observável específica do objeto como uma evidência para a afirmação em si (empirismo). Exemplo disso seria:
(3) Nunca-mais, meu corvo de estimação, é preto.
É uma evidência que claramente suporta a hipótese de que todos os corvos são pretos (observar um corvo preto aumenta a possibilidade de que todos os corvos sejam pretos).
O paradoxo surge quando o mesmo processo é aplicado a afirmação (2). Ao observarmos uma maçã verde, podemos afirmar que (4) Esta coisa verde (logo, que não é preta) é uma maçã (e, portanto, não é um corvo).
Sendo (2) logicamente equivalente a (1), então é correto afirmar que avistar uma maçã verde é uma evidência de que todos os corvos são pretos.
O absurdo aqui está no simples fato de que maçãs não estão relacionadas diretamente com corvos, se a argumentação fosse válida, uma pessoa poderia afirmar que todos os corvos são pretos, sem nunca ter visto um corvo, simplesmente por ter visto uma maçã verde.
Como já me dizia meu avô, um grande filósofo luso-brasileiro, "nem tudo o que reluz é ouro."
Paradoxo da Exceção
"Toda regra possui uma exceção."
"Para toda regra há uma exceção."
"Se para toda regra há uma exceção, então para toda regra deve haver pelo menos uma exceção, menos para esta regra."
Paradoxo da Página Branca
Muitos documentos e livros possuem uma página em branco onde está escrito "esta página foi intencionalmente deixada em branco." Se há algo escrito, a página não está mais em branco. Vale aqui a observação de que, mais do que um paradoxo lingüístico, a causa deste paradoxo são as convenções estabelecidas.
Paradoxo de Petrônio
"Moderação em todas as coisas, inclusive na moderação."
Paradoxo do Controle (ou da Liberdade)
"O homem jamais poderá ser completamente livre, pois ser completamente livre é ter controle sobre si mesmo." - Seria, neste caso, um louco descontrolado deixado em paz, uma criatura além do paradoxo? (:
Paradoxo de Manson
"Nenhum sentido faz sentido."
Paradoxo de Moore
"Está chovendo lá fora, mas eu não acredito que está chovendo."
Paradoxo do Nihilismo
"A verdade não existe." Se a verdade não existe, então a afirmação anterior é verdadeira. Logo a verdade existe na forma da própria afirmação que a nega.
É claro... "A verdade está lá fora." (:

Também caracteriza o Peritrope de Sócrates; por exemplo: responder a afirmação de que "a verdade não existe", usa-se uma pergunta como "bem, não seria isto uma verdade?"
Mera Adição (um dos meus preferidos)
"Seria uma grande população pouco tolerável vivendo melhor do que uma pequena população feliz?"
Digo, preferido, nem tanto pelo paradoxo originalmente proposto, mas pela perfeita construção de incerteza contraditória que ela propõe e os lugares aonde leva o processo do pensamento.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Invictus (tradução)

Clique na imagem para ampliar


Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


Henley, William Ernest - 1875.


Invicto

Do fundo da noite que me envolve,
Escura como o Inferno de ponta a ponta,
A qualquer Deus - se algum acaso existe,
Por mi'alma inconquistável agradeço.
Quando nas garras do destino
Eu não vacilei e nem me ouviram chorar.
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça sangra mas permanece ereta.
Além deste lugar de rancor e lágrimas
Somento o Horror das sombras se anuncia.
E mesmo a ameaça dos anos
Encontra, e há de encontrar-me, intrépido.
Não importa quão estreito o portão,
Quão repleto de penas o veredicto,
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o senhor da minha alma.

(Tradução Minha.)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O que sabia Skinner sobre qualquer coisa?

"A concepção de que um mundo puramente físico poderia ser auto-suficiente fora sugerida há séculos atrás, na doutrina do paralelismo psicofísico, a qual sustentava a existência de dois mundos - um mental e um material - e de que nenhum deles exercia qualquer efeito sobre o outro. A demonstração freudiana do inconsciente, no qual uma consciência dos sentimentos ou estados mentais parecia desnecessária, apontava na mesma direção."
SKINNER, B. F. As causas do comportamento. In: Sobre o Behaviorismo. 10a ed. São Paulo : Cultrix, 2006. p. 18

Primeira aula de Teoria Psicanalítica, as cinco premissas da psicanálise: 1. Existe um inconsciente dinâmico (que exerce grande influência na conduta dos pacientes).

Parece que faltou até o básico para o Skinner. Posso citar mais pérolas do livro, como na página 14, em que o autor parece ignorar completamente anos de conhecimento médico acumulado sobre lesões cerebrais ao afirmar que modificações no cérebro não alteram o comportamento... Será possível que ele nunca travou conhecimento da prática de lobotomias ou de casos bem documentados como o de Phineas Gage?

"Mas as maiores dificuldades são de ordem prática: não podemos antecipar o que uma pessoa fará observando-lhe diretamente os sentimentos ou o sistema nervoso. Tampouco podemos mudar seu comportamento modificando-lhe a mente ou o cérebro." [grifo do autor] (p. 14)

Na mesma página, Skinner dá a impressão de total desconhecimento dos mecanismos fisiológicos que regulam a fome e a saciedade, entre outros.

Assim fica difícil Sr. Skinner. ):


* Inicialmente discutido por e-mail

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

MF

Juca diz:
"Sob o signo de capricórnio, todas as lágrimas do inferno clamam pelo fim do mundo."

Pedro diz:
oq isso quer dizer?
pera
nao fala
deixa eu advinhar
a tua ex eh do signo de crapcorno, e tu te considera no inferno pq ela não quer te dar e por isso queres q o mundo acabe

Juca diz:
nao
sobre os capricornianos (como eu), todo o mundo (inferno) pede para o nosso fim (dos capricornianos).

Pedro diz:
nao eh verdade... aposto que tem muitos capricornianos que são adorados por várias pessoas.

Juca diz:
eu antigamente, lah pelos meus 12 a 14 anos!

Pedro diz:
não
e se fosse...
em 2 anos conseguisse fazer o que o smiglous levou 200 anos pra fazer?

Juca diz:
o q?

Pedro diz:
tah ligado o bichinho aquele do senhor dos anéis?

Juca diz:
sim..
o q ele fez?

Pedro diz:
ele era tipo um hobbit normal
mas ai ele ficou vivendo numa caverna durante 200 anos, não sei porque motivo e quando saiu de lah ele era daquele jeito
pelo menos foi isso q entendi lendo desatentamente um resumo sobre ele

Juca diz:
auahuaauha

(algum tempo depois ele se liga...)

Juca diz:
ei, nao me compara a essa criatura infeliz...

Pedro diz:
não estava comparando...
tipo, existem diferenças entre vocês

Juca diz:
tah mas tu falou q eu em 2 anos fiz o q essa coisa fez em 200

Pedro diz:
então, essa é a diferença

Juca diz:
mas o q eu fiz? fiquei feio, odiado e sem popularidade? eh isso?

Pedro diz:
não Juca... como eu poderia dizer uma coisa dessas?
o smiglous é popular... afinal o senhor dos anéis foi um sucesso de bilheteria

(mais um tempo se passa...)

Juca diz:
aiai.. q bobagem...

* Obs.: os nomes foram alterados por motivos óbvios.