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quarta-feira, 9 de março de 2011

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Adeus 2010

E ainda assim... Negar a sucessão temporal, negar o Eu, negar o universo astronômico, são desesperos aparentes e consolos secretos. Nosso destino não é assustador por ser irreal; é assustador porque é irreversível e ferrenho. O tempo é a substância de que sou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo. O mundo, infelizmente, é real; e eu, infelizmente, sou Borges.

Borges, Nueva refutación del tiempo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Sentido da Vida

"Life has no meaning; only machine intelligence is truly significant on a cosmic scale."
The Grim Adventures of Billy & Mandy

Esta é uma das minhas citações favoritas embora seja, a princípio, uma afirmação que nega a si mesma. Resolvi criar um mapa de argumento:
O Sentido da Vida
Desta forma, a menos que seja possível a emergência da consciência e da inteligência em entidades não-biológicas sem a intervenção de uma entidade biológica consciente e inteligente - ou seja, de forma natural - a vida se justifica por sua necessidade para o projeto e construção da primeira geração de máquinas inteligentes. Ainda assim, vale dizer que esta razão não se aplica caso adotemos o mecanicismo, segundo o qual entidades biológicas são apenas máquinas extremamente complexas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Almighty Richard Dawkins

"Minha banda GZR está de molho por enquanto, mas músicas serão escritas pelo caminho, espero que culmine num álbum por volta de 2010, se Deus ou Darwin ou Richard Dawkins permitir."

Geezer Butler - 9 de março de 2007.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Retomando B. F. Skinner

Este post se destina a retificar algumas afirmações precipitadas e, no mais das vezes, erradas, que fiz sobre o psicólogo B. F. Skinner, fundador do Behaviorismo Radical. Minhas afirmações anteriores eram baseadas em uma leitura superficial e incompleta da obra de Skinner, e em conceitos incompletos e, de certo modo, até mesmo errados, que constam nos livros texto de Psicologia. Isso só confirma a importância da leitura das obras dos teóricos, acima da leitura de interpretações e resumos feitas com base nas mesmas. Agradeço ao Psicólogo e Professor Anderson de Moura Lima por me chamar a atenção quanto ao que eu havia escrito anteriormente, e por dedicar um longo tempo me enviando materiais de alta qualidade e debatendo o Behaviorismo Radical comigo.
"Educação é aquilo que sobrevive quando o que foi aprendido é esquecido."

"Uma pessoa que foi punida não irá tornar-se menos inclinada para se comportar daquela maneira; no máximo esta pessoa irá apenas aprender a evitar a punição."

O Behaviorismo Radical trata tudo aquilo que fazemos e tudo aquilo que conhecemos como mente, consciência e subjetividade, como sendo comportamento; ou seja, na visão do Behaviorista Radical, mente, consciência e subjetividade são comportamentos.
O Behaviorismo Radical é a vertente do estudo do comportamento, iniciada por Skinner, que se difere das demais, como os estudos de condicionamento de Ivan Pavlov, por sua ênfase nas conseqüências do comportamento ao invés dos estímulos que deflagram o comportamento; e, principalmente, se difere do Behaviorismo Metodológico de John Watson por não ignorar como epifenômeno (fenômeno que é um subproduto ocasional de outro, sobre o qual não exerce qualquer influência, e do qual é dependente - Aurélio) aquilo que é tratado como evento privado ou, em termos mentalistas, processos mentais.
O ato de pensar, o ato de sentir, o ato de criar, são todos atos, portando são comportamentos e podem ser estudados como tal. A consciência é tomar ciência de algo, sendo assim, também, um comportamento, ou melhor, um conjunto de comportamentos condicionados que nos leva a perceber o mundo da maneira como percebemos.
Somos causa e efeito, e tanto quanto exercemos nossas ações sobre o mundo, como Skinner ressalta, o mundo exerce seu efeito sobre nós. Desta forma, o Behaviorismo Radical tem uma visão bastante própria sobre ser humano: não há diferenciação entre ser humano e ambiente, nem grandes diferenciações entre ambiente externo e interno, somos um com o ambiente, somos moldados desta forma, agimos e reagimos frente às mudanças ambientais.
Os eventos privados, enquanto não podem ser observados pelo pesquisador ou pelo terapeuta, podem ser observados pelo indivíduo e podem ser relatados pelo comportamento verbal. Desta forma, nós mesmos somos importantes observadores dos nossos eventos privados e estes podem ser estudados por um profissional habilitado na Análise Comportamental.
A proposta do Behaviorismo Radical, como o próprio nome já deixa claro, trás consigo um rompimento drástico com idéias pré-concebidas que são nutridas socialmente, as memes virais às quais Daniel Dennett se refere, mas são importantes no sentido de que podem ser os argumentos mais fortes já criados em defesa da vida humana e dos direitos humanos.
Como isso? Skinner construiu toda sua base teórica fortemente fundamentada na ciência e na Filosofia (como fica evidente no livro Sobre o Behaviorismo, de autoria de B. F. Skinner); seus resultados são obtidos por meio da observação, quantificação e discussão. Não são afirmações baseadas em meras inferências e achismos, que dificilmente podem ser refutados e muitas vezes representam mais a visão do teórico do que a realidade que pode ser obtida pela experimentação; muito diferente disso: os postulados Behavioristas podem ser comprovados, os experimentos podem ser refeitos, as medições podem ser recriadas.
Além disso, Skinner não limitou seu trabalho aos animais, mas estudou o ser humano e a sociedade humana, levando em conta muitos os aspectos para os quais os Behavioristas que o precederam não possuíam respostas; sem, contudo, abrir mão do método científico. A aplicabilidade da Análise do Comportamento não se limita ao laboratório, mas possui respostas para a prática clínica, para as relações empresariais e para todo tipo de relação em sociedade.
Dentre estas respostas está a questão do livre-arbítrio e da responsabilidade. Até que ponto o ser humano é responsável por suas ações?
Ainda estamos presos à uma prática que vem desde a idade média e que foi ganhando força com a revolução industrial e a consolidação do modelo de produção capitalista; que é a prática de iludir as pessoas humildes para que elas se submetam e vendam sua mão de obra de forma barata sem questionar seu verdadeiro valor enquanto indivíduo. Para tanto temos o carnaval, o futebol, a cerveja e, talvez numa das facetas mais negras deste esquema de dissimulação, os bodes expiatórios, os segregados, os institucionalizados, que são aqueles indivíduos nos quais a população projeta todas suas fantasias destrutivas e toda sua frustração, sem nem ao menos tomar conhecimento de que estão agindo assim.
Ao afirmar que o ser humano é produto do ambiente e das contingências de reforço às quais foi submetido ao longo de sua vida, e sem esquecer da carga genética e fatores biológicos, Skinner questiona o valor da punição e conceitos como "a maldade da alma", "a perversão moral", "o caráter torpe", etc afirmando que eles são aquilo que são: mal adaptações do indivíduo, coisas que podem ser tratadas de maneira científica, com o método apropriado.
Com isso, é justo dizer que Skinner foi um dos cientistas que mais defendeu o ser humano, a liberdade do ser humano, e uma sociedade mais justa.

...

Links recomendados:

domingo, 6 de abril de 2008

Desmistificando alguns prodígios da memória

"O pensamento visual é geralmente melhor direcionado pelo conhecimento conceitual que usamos para organizar nossas imagens ao invés do conteúdo das imagens em si. Mestres do xadrez são conhecidos pela sua incrível memória para as peças em um tabuleiro. Mas não é por causa da memória fotográfica que as pessoas se tornam mestres do xadrez. Os mestres não são melhores do que os iniciantes para se lembrar de um tabuleiro com peças organizadas de forma aleatória. Suas memórias capturam relações significantes entre as peças, tais como ameaças e defesas, e não apenas sua distribuição no espaço."
Steven Pinker (How the Mind Works, 1997, p. 295)

quarta-feira, 26 de março de 2008

John Searle e a graça do livre-arbítrio

Existem algumas - boas - palestras que preciso ver e rever para poder compreender melhor, mas existem algumas outras palestras - melhores ainda - que eu vejo e revejo simplesmente porque é muito divertido. No trecho que transcrevi abaixo, John Searle não explica o livre-arbítrio, na verdade ele apenas faz graça tentando demonstrar a relevância do problema para o âmbito filosófico, contudo este é um daqueles trechos inesquecíveis.
"Vejam este cenário imaginário: você está em um restaurante e o garçom diz: - Você tem que fazer uma escolha entre a refeição vegetariana e a refeição com carne. Nós só temos estas duas opções, você precisa escolher entre uma delas.
Você não pode responder: - Olha, eu sou um determinista. Eu vou apenas esperar e descobrir o que foi que eu pedi, vou sentar aqui e esperar para ver o que acontece. [risos]
Isso não pode acontecer por que, se você disser isso, será inteligível apenas para você: a recusa em exercitar o livre arbítrio é inteligível apenas para você, se você assumir que isto foi um exercício da sua própria vontade.
Eu dei uma palestra em Londres, sobre este assunto, e um cara se levantou no meio da palestra e disse: - Escute! Se o determinismo for comprovado, você irá aceitá-lo? [risos]
Então mostrei para o cara, disse para ele pensar na forma da questão. A forma da questão é: - Se ficar comprovado que não existe tal coisa como uma ação livre, voluntária e racional, você aceitaria isso de forma livre, voluntária e racional?"
Fonte: Authors@Google - John Searle, 30 de outubro de 2007
Os diálogos acima foram usados para demonstrar que o livre-arbítrio não pode ser abordado como uma mera ilusão, uma vez que não podemos simplesmente fugir dele, ou abrir mão dele: o ato de abrir mão do livre-arbítrio de forma racional e lógica em um sistema, ou numa relação, só pode ser compreendido por quem exercita esse ato. O garçom poderia esperar a vida toda e nenhuma resposta sairia da boca do determinista sem que fosse feita uma escolha inteligente e racional, similarmente ao que ocorre com o cenário do burro de Buridan (que eu adaptei levemente num outro post). Em resumo, mesmo que sejamos convencidos de que todo nosso comportamento é predeterminado, nós não somos capazes de agir como se assim fosse.
Quanto a se existe ou não livre-arbítrio, John Searle acredita que esta é uma questão em aberto, mas que a existência de atividade racional pressupõe a existência de livre-arbítrio.
Uma questão (composta) para pensar: quantas vezes agimos de forma irracional, mesmo em face a situações de grande importância? Para onde vai o nosso livre-arbítrio nestes momentos?
Pessoalmente, acredito que a questão do livre-arbítrio ainda está em aberto, concordando com Searle, mas penso que o espaço para decisões livres, racionais e voluntárias no nosso dia a dia, nas escolhas que irão nos acompanhar por muito tempo, e nas nossas ações, é muito, mas muito pequeno, tendo em consideração fatores como o contexto em que a pessoa está inserida, a condição emocional desta pessoa, suas vivências passadas e o que ela foi capaz de aprender com a experiência, etc...

domingo, 23 de março de 2008

Citando J. B. S. Haldane

Haldane foi um biólogo que, entre outras coisas, ajudou a popularizar diversas idéias científicas durante seu tempo. Meu primeiro contato com suas palavras foram através de uma palestra do também biólogo Richard Dawkins, com a seguinte citação: "Minha suspeita é de que o Universo não é apenas mais estranho do que nós supomos, mas mais estranho do que nós podemos supor." - um excelente começo para uma palestra, uma vez que são palavras que realmente nos fazem refletir sobre a maneira como compreendemos o mundo.
Dei uma olhada na história e nas idéias de Haldane, depois fui atrás de citações suas, uma vez que - quando disponíveis - geralmente traçam linhas gerais sobre o pensamento de uma personalidade. Seguem, então, algumas das que encontrei:
Os quatro estágios da aceitação:
I. Isto não faz sentido e não tem valor;
II. Este é um interessante, porém perverso, ponto de vista;
III. Isto é verdade, mas não faz diferença;
IV. Eu sempre soube disso!

Meu corpo tem sido usado para ambos os propósitos durante minha vida, e depois de minha morte, quer eu continue a existir ou não, ele não terá mais nenhuma utilidade para mim, então desejo que ele seja usado pelos outros. A refrigeração, se possível, deverá ser a primeira mudança em meu estado.

Eu sou uma parte da natureza e, como os demais objetos naturais, do relâmpago às bases das montanhas, eu irei durar o tempo que me é destinado e então sumir. Este prospecto não me preocupa, pois meu trabalho irá seguir quando eu tiver morrido.

O desperdício de seres humanos sob o nosso atual sistema é muito mais danoso do que qualquer desperdício econômico.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Jack Kerouac - "Ou não?"

Jack Kerouac by John Cohen 1959Um homem que permite que a paixão selvagem floresça dentro de si, queima a seu próprio coração. Depois de queimar, vem o vento acender o fogo novamente, ou não, como pode ser o caso.

Não possuo nada para oferecer, além da minha própria confusão.

A vida é um portal, uma passagem, um caminho para o Paraíso. De qualquer forma, por que não viver para a diversão, o prazer, o amor?

As únicas pessoas, para mim, são as loucas. As que são loucas para viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, ávidas por tudo ao mesmo tempo. Aquelas que jamais bocejam ou dizem coisas usuais, mas que queimam, queimam, queimam como uma fabulosa vela romana explodindo como aranhas pelas estrelas e no meio você vê uma luz central azul acender deixando a todos estarrecidos.

Todos os seres humanos também são seres de sonhos. Sonhar é o que une a toda humanidade.

.:.

Com o que você sonhou hoje?

Estas citações são minhas próprias traduções interpretativas de frases memoráveis do escritor Jack Kerouac.

sábado, 8 de março de 2008

Ética x Moral

O que é ética e o que é moral? Qual a diferença entre ética e moral?

Luiz Gonzaga de Souza responde a esta pergunta:
"A ética se confunde muitas vezes com a moral, todavia, deve-se deixar claro que são duas coisas diferentes, considerando-se que ética significa a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, enquanto que moral, quer dizer, costume, ou conjunto de normas ou regras adquiridas com o passar do tempo. A ética é o aspecto científico da moral, pois tanto a ética como a moral, envolve a filosofia, a história, a psicologia, a religião, a política, o direito, e toda uma estrutura que cerca o ser humano. Isto faz com que o termo ética necessita ter, em verdade, uma maneira correta para ser empregado, quer dizer, ser imparcial, a tal ponto a ser um conjunto de princípios que norteia uma maneira de viver bem, consigo próprio, e com os outros."
______. Ética e Sociedade. Biblioteca Virtual de Derecho, Economía y Ciencias Sociales.
http://www.eumed.net/libros/2006a/lgs-etic/1t.htm - Acesso em 8 de março de 2008.


E Bruno Rychlowski sintetiza:
"Ética é a ciência dos atos morais, vale dizer, atos conscientes e livres, cujo objetivo é a realização de um valor moral."
______. Ética: Conceptos de Ética y Moral. Apocatastasis - Literatura y Contenidos seleccionados.
http://www.apocatastasis.com/moral-etica-conceptos.php - Acesso em 8 de março de 2008.

Renan Bardine ainda esclarece que:
A moral é eminentemente prática; a ética é teórica e reflexiva.
A moral sempre existiu, pois todo ser humano [saudável] possui a consciência moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive; a ética teria surgido com Sócrates e a investigação das normas morais, levando o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência.
A ética julga o comportamento moral das pessoas.
______. Moral e Ética: dois conceitos de uma mesma realidade.
http://www.coladaweb.com/filosofia/moral.htm - Acesso em 8 de março de 2008.

Por exemplo, algumas comunidades da África e da Ásia extirpam o clitóris de suas mulheres e acreditam que este comportamento seja moral dentro de suas tradições culturais, práticas sociais e convicções religiosas. Podem eles alegar que esta tradição moral seja ética? Pelo visto até aqui, não.
Outro exemplo é a obediência militar à cadeia de comando. Pode ser considerada como obrigação moral, mas não é necessariamente ética.
Entendo agora que a ética cessa de existir quando o ser humano não age racionalmente, e são muitos os casos em que as pessoas são levadas a agir assim.

Por fim, fica aqui a pergunta: seria correto dizer que seres humanos saudáveis possuem moral e que sofredores psíquicos com deformações no caráter, tais como sociopatas, precisam de ética para compensar sua deficiência moral? Seria este o fator determinante de sucesso profissional e social de alguns portadores de personalidade anti-social? Aí está o objeto de uma bela discussão.
Para mais detalhes sobre a questão moral e a patologia, é interessante dar uma olhada no famoso caso de Phineas Gage; e para mais informações sobre o desempenho portadores de personalidade anti-social em sociedade, ver Davidoff, Introdução à Psicologia, p. 581-3.

Adendo (09 de março):

Pedi uma ajuda pra minha amiga Biga, para saber qual era a opinião dela, e ela me citou os comentários do Deleuze sobre o Foucault, uma informação extremamente valiosa, que vou colocar aqui:
(entrev.) "- No que você chama de "modos de existência", e que Foucault chamava de "estilos de vida", há uma estética da vida; você o lembrou: a vida como obra de arte. Mas também uma ética!

(Deleuze) " - Sim, a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é somente estética, é o que Foucault chama de ética, por oposição à moral. A diferença é esta: a moral se apresenta como um conjunto de regras coercitivas de um tipo especial, que consiste em julgar ações e intenções referindo-as a valores transcendentes (é certo, é errado...); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam o que fazemos, o que dizemos, em função do modo de existência que isso implica"
IN: DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: 34, 1992. p. 125-126.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pensamentos de Bertrand Russell

A maioria das pessoas irá morrer antes de pensar -- e, de fato, elas assim o fazem.

A boa vida é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento.

É a preocupação com a posse, mais do que qualquer outra coisa, que impede o homem de viver livre e nobremente.

Eu não acredito que estou sonhando agora, mas eu não posso provar que não estou. Eu tenho, contudo, a certeza de estar tendo certas experiências, quer eu estaja sonhando ou acordado.

Nada que esteja acontecendo agora ou que irá acontecer no futuro poderá refutar a hipótese de que o mundo tenha surgido a cinco minutos atrás.

Para salvar o mundo é preciso fé e coragem: fé na razão e coragem para proclamar aquilo que a razão demonstra ser verdadeiro.

Um dia encontrei, na escola, um menino de tamanho mediano maltratando um menino menor. Eu expostulei, mas ele respondeu: "Os grandes me batem, então eu bato nos menores; isso é justiça." Com estas palavras ele resumiu a história da humanidade.

A causa fundamental dos problemas do mundo moderno é que os estúpidos estão certos de terem razão, enquanto os inteligentes estão repletos de dúvidas.

As opiniões defendidas de maneira passional são sempre aquelas para as quais não há boa fundamentação; desta maneira, a paixão é a medida da falta de convicção racional para um argumento.

Quando nós olhamos para uma pedra o que vemos não é a pedra, mas o efeito que a pedra tem sobre nós.

Linus Pauling em 5 frases

1. "Eu sempre quis saber tanto quanto é possível sobre o mundo."
I have always wanted to know as much as possible about the world.
2. "Se você quer ter boas idéias, você precisa ter muitas idéias. A maioria delas estará errada, o que você precisa aprender é quais delas deve descartar."
If you want to have good ideas you must have many ideas. Most of them will be wrong, and what you have to learn is which ones to throw away.
3. "A Ciência não pode ser interrompida. O ser humano irá acumular conhecimento, não importam quais sejam as conseqüências - e não podemos prever quais serão."
Science cannot be stopped. Man will gather knowledge no matter what the consequences – and we cannot predict what they will be.
4. "Quando uma pessoa idosa e distinta falar com você, escute com atenção e respeito - mas não acredite nela. Nunca deposite a sua confiança em qualquer coisa que não o seu próprio intelecto."
When an old and distinguished person speaks to you, listen to him carefully and with respect — but do not believe him. Never put your trust into anything but your own intellect.
5. "Eu tenho algo que chamo de minha Regra de Ouro. É algo assim: 'Faça aos outros 25% mais do que aquilo que você espera que eles façam para você.' [Pausa] Os 25% a mais são para o erro."
I have something that I call my Golden Rule. It goes something like this: 'Do unto others twenty-five percent better than you expect them to do unto you.' [Pause.] The twenty-five percent is for error.

Comentários: Nenhuma sociedade será justa sem a completa, mas responsável, liberdade de expressão, pensamento, crença, fé e disposição. O conhecimento é um bem imaterial que deve ser de livre acesso a todos os seres humanos. Nenhum conhecimento é nocivo per se, logo não pode e não deve ser julgado - apenas aquilo que as pessoas fazem com o conhecimento é que pode ser sujeito de julgamentos. A pior ditadura é aquela que é imposta ao intelecto do indivíduo em sociedade. Tal ditadura existe nas sociedades atuais, inclusive naquelas que se denominam democráticas, e é propelida por duas forças muito antigas, com forte tendência de interação entre si, e que já se provaram nocivas ao desenvolvimento do ser humano: a intolerância religiosa baseada em uma moral retrógrada e de compreensão limitada, e a predominância dos interesses do capital sobre os interesses do social. Uma quer decidir o que é certo e o que é errado conhecer, a outra utiliza-se da anterior para manter uma estrutura econômica que depende da opressão. O maior inimigo destas duas forças é o conhecimento.

domingo, 25 de novembro de 2007

Cruzando o golfo

"Actually, the gap between say Plato or Nietzsche and the average human is greater than the gap between that chimpanzee and the average human." Louis Mackey, no filme Waking Life, parafraseando Walter Kaufmann.

Psicodesenvolvimento

"Que chocante contraste existe entre a brilhante inteligência de uma criança e a débil mentalidade do adulto médio."
Sigmund Freud

O Teste de Turing e o Reducionismo

Antes de tentar travar uma interlocução inteligente com uma máquina, é preciso parar para pensar em quantas vezes essa tentativa é frustrada por seres humanos. Turing propôs que alguém "munido de um pedaço de papel, um lápis, uma borracha e um assunto específico de uma disciplina é, para todos os efeitos, uma máquina inteligente." Infelizmente essa afirmação não é mais do que uma enorme generalização apressada: muitas pessoas munidas destes elementos serão, se muito, máquinas, e poucas poderão ser descritas como inteligentes.

Receita de ansiedade

" We can only see a short distance ahead, but we can see plenty there that needs to be done."
Alan Turing

Para pensar sobre a Internet

"Quanto maior a multidão, mais negligente será o indivíduo."
Carl G. Jung

O paradoxo de Richard Feynman

A seguinte afirmação é atribuída a Richard Feynman: "If you can't explain it to a six year old, you don't really understand it." Então, ao receber o Prêmio Nobel, ele fez a seguinte declaração para a revista People: "If I could explain it to the average person, it wouldn't have been worth the Nobel Prize." (22 de julho de 1985)